"Eu sinto a revolução", comenta Grag Queen no Mês do Orgulho

No 'Mês do Orgulho, Grag Queen fala sobre os novos projetos, inspirações e representatividade LGBTQIA+; confira a entrevista exclusiva!

Representando o Brasil, Grag Queen se consagrou campeã do reality show "Queen Of The Universe".
Representando o Brasil, Grag Queen se consagrou campeã do reality show "Queen Of The Universe". - Crédito: Divulgação

por Caroline Ferreira
Publicado em 18/06/2022 às 10:00
Atualizado às 10:00

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Olhei e falei: po-de-ro-sa! De fato, Grag Queen é a nova sensação do pop brasileiro e agora, mais do que nunca, vem conquistando seu espaço internacional. Após se consagrar campeã no reality show "Queen Of The Universe", a artista lançou "You Betta", sua primeira faixa em inglês, em parceria com produtores de artistas renomados como Britney Spears e Camila Cabello

E não pense que acabou por aí, viu? A primeira performance do hit aconteceu diretamente do "RuPaul's Drag CON 2022", considerado o maior evento de cultura drag no mundo, simultaneamente com a chegada do videoclipe. Arrasou demais e entregou tudo!

Assista:

Aproveitando o Mês do Orgulho LGBTQIA+, o Famosos e Celebridades bateu um papo exclusivo com a artista que comenta os novos passos da carreira, inspirações e a importância da representatividade na cena musical. 

Grag, para gente começar, conta um pouquinho sobre o novo single, "You Betta", aliás o primeiro em inglês e que chega produzido por nomes tão renomados no mercado, né?

"You Betta" é uma criação, a gente se juntou, eu, Leland, Cole e Jesse para conversar e fazer uma música. Começamos a fazer essa canção que tinha os 'palavreados' drag, mas também era muito mainstream. A gente deu vida a "You Betta" e é realmente muito importante para mim. Um tiro no escuro porque a gente nunca sabe como vai acontecer, se as pessoas vão gostar e se vão consumir. E a partir disso, aguardem os próximos lançamentos. Não sabemos em qual língua (risos). Internacional que fala, né? (risos). 

Estamos no Mês do Orgulho, se você pudesse fazer um balanço sobre o cenário atual, como seria? Especialmente sabendo que, mesmo com tantas batalhas, temos um longo caminho em prol da equidade e respeito!

Temos sim um caminho gigante a ser trilhado, podemos dizer que estamos nos movendo, estamos seguindo para algum lugar. Eu sinto essa revolução, esses frutos de plantações que vieram lá do passado, até às pessoas que conhecemos agora. Nós estamos levando esse movimento, essa bandeira, representando com arte, com qualidade.

Isso tem feito a gente entrar cada vez mais na casa das pessoas, sermos respeitadas e não aceitas, até porque não tem que ser aceita, a gente precisa ser respeitada mesmo, vistas como ídolo, como patrimônio da pátria. Eu representando o Brasil em uma competição e sendo uma pessoa LGBTQIA+, então é sobre isso. Eu chuto que estamos nos encaminhando, mas o caminho é longo. 

Quando falamos de inspiração, quais são os primeiros nomes que vem sua mente e por qual motivo?

Eu sempre faço da Liniker. Perfeita! Canta com a alma, canceriana, escreve, tem presença de palco, tem performance e eu amo. Vamos falar com certeza da Gloria Groove, que é drag também, me inspiro demais, tanto na liberdade musical como na liberdade vocal, na função de ter gogo e ser uma cantora assim como ela. Todos os artistas LGBTQIA+.

A gente não é só artista e está na indústria, a gente está na indústria como pessoas LGBTQIA+ e a gente sabe pelo que a gente passa, os 'nãos' que a gente leva, as propagandas que a gente deixa de fechar. Então eu admiro todas as pessoas que são da minha comunidade e estão na luta e chegando no mercado. 

Como você espera que os seus projetos afetem o público?

O que mais me conecta comigo mesma é lembrar que eu queria fazer coisas que se comunicassem com as pessoas, que não fossem vazias, que não viessem rasas. Então eu simplesmente sinto isso, que sejam motivacionais como "Bota Fé", "Fim de Tarde", e isso tem me dado um respaldo, um feedback muito grande de pessoas que têm sido tocadas positivamente. Eu sou muito grata por isso. Não só por ser artista, mas por tocar o coração das pessoas de uma forma incrível que é a arte, é a música. 

E se você pudesse dizer algo para Grag de 10 anos atrás, o que diria?

Eu diria "Grag, aguenta firme aí, eu sei que está tudo muito confuso, que está um caos na escola, na sua casa, na Igreja. Está todo mundo querendo te curar, te mudar, te dizer como fazer, como acontecer. Vai ser uó, você vai ficar um caos também, você não vai entender nada, vai se odiar, mas fica tranquila que uma hora que a liberdade vai cantar e você vai se sentir uma pessoa nova, que se ama. A 'Grag Queen' vai chegar e você vai virar até a 'Rainha do Universo', eu sei que você não acredita, mas confia na mãe, que a mãe vem do futuro e a mãe sabe do que ela está falando".

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