Após eliminação, Rodolffo se diz arrependido por comentário racista

Sertanejo foi o nono participante a deixar a casa do BBB 21 nesta terça (6)

Paredão triplo foi disputado contra Caio Afiune e Gilberto Nogueira
Paredão triplo foi disputado contra Caio Afiune e Gilberto Nogueira - TV Globo/Reprodução

por Caroline Ferreira
Publicado em 07/04/2021 às 09:33
Atualizado às 09:33

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Disputando a berlinda tripla contra o fazendeiro Caio Afiune e o economista Gilberto Nogueira, Rodolffo Matthaus foi eliminado do Big Brother Brasil na noite desta terça-feira (6), com 50,48% dos votos.

Rodolffo
Sertanejo foi eliminado com 50,48% dos votos. Crédito: TV Globo/Reprodução

Cumprindo a agenda de compromissos da emissora, o cantor participou do Bate-Papo BBB, apresentado por Ana Clara Lima e afirmou estar arrependido após ter comparado o cabelo de João Luiz com a peruca de homem das cavernas.

"Confesso a você que eu estou muito mal, principalmente pelo motivo da saída. Não foi bacana, eu concordo que não foi bacana o motivo da saída. E eu estou super arrependido, sabe? Não aplaudo o que eu fiz, assumo o erro", disse o sertanejo. 

Durante a conversa, Rodolffo também frisou que teve uma criação diferente e, por isso, tem dificuldade em se posicionar diante de algumas pautas. "Entrei lá sabendo de toda a minha cultura, de tudo que eu já vivi, de todos os ensinamentos que eu tive perante ao mundo moderno de hoje. O meu mundo ainda é um pouco restrito em relação às adversidades. Eu falei: 'gente eu sou um pouco xucro'", explicou o brother.

Tiago Leifert discursa sobre racismo: "O black é a coroa" 

Antes de anunciar a eliminação de Rodolffo, o apresentador Tiago Leifert se posicionou sobre a situação. "Eu queria falar com meu amigo Rodolffo. Aquele assunto do João estava muito restrito com a Camilla e o Gil. Mas vendo o que aconteceu ontem no jogo, e vendo como você se defendeu, me preocupou. E é por isso que estou aqui para conversar com você, de homem branco para homem branco", começou.

"Eu vi sua defesa, Bastião. Quando eu era mais novo, na escola, também brincavam com o meu cabelo, porque ele não é liso. Mas isso nunca fez a menor diferença... Um cabelo black power, que é o cabelo do João, não é um penteado, é um símbolo de luta, de resistência. Foi o que os pretos americanos usaram como símbolo de luta, usado para mostrar que se aceitavam, se amavam".

"Historicamente, o cabelo João foi associado a uma coisa feia, uma coisa suja. E é por isso que quando a gente faz um comentário sobre o cabelo do João, não estamos falando de um penteado, mas de um símbolo. Estamos falando do que o João é. O black é a coroa", pontuou.

"Eu não vejo maldade no que você fez, mas ao mesmo tempo legitimo a dor do João. E a dor que ele sentiu, não discerne um comentário maldoso e um comentário sem querer. E é por isso que nós, brancos, precisamos informar... Eles não querem mais ensinar. Você um artista, eu sou jornalista. É nossa obrigação ir atrás de informação".

Camilla de Lucas
Camilla de Lucas se emocionou com o discurso de Tiago. Crédito: TV Globo/Reprodução

Camilla de Lucas aproveitou o momento para se posicionar também. "Se as pessoas falam que é mimimi, que estão cansadas de ouvir isso, eu também estou cansada de falar", finalizou a blogueira.

Repercussão no "Mais Você"

Durante a participação no "Mais Você" desta quarta-feira (7), o cantor voltou a se desculpar pelas falas e disse detestar a sensação de causar dor no outro. "A partir de quando eu realmente entendi que causei dor, eu mudei minha opinião sobre o comentário que fiz. Detesto a sensação de causar dor em qualquer tipo de pessoa, qualquer raça ou orientação sexual... Revendo as cenas, aquele momento de surpresa, tentando justificar, eu deveria ter pedido só desculpas para ele", comentou. Sobre a mensagem durante show da Ludmilla, o sertanejo garante que passou despercebido. "Eu estava curtindo demais o show, não percebi a indireta, infelizmente".

Quando questionado pela apresentadora sobre o uso do argumento de que o pai, Juarez usava o mesmo cabelo, Rodolffo explicou que a família sempre levou o assunto com muita leveza. "Minha família por parte de pai é negra, só que a leveza que eles sempre levaram a cor da pele e o cabelo foi diferente em casa. Meu pai nunca se sentiu incomodado com ataque e preconceito. Falha minha não pesquisar. É obrigação de todo mundo", finalizou e se comprometeu em estudar sobre a causa, o movimento e o seus privilégios.