Fernanda Montenegro eleita para a ABL: "ícone da cultura brasileira"

Marco Lucchesi, presidente da Academia Brasileira de Letras, celebrou a presença da atriz

Aos 92 anos, ela será a primeira mulher a assumir a cadeira 17 e sucederá o diplomata Affonso Arinos de Melo Franco.
Aos 92 anos, ela será a primeira mulher a assumir a cadeira 17 e sucederá o diplomata Affonso Arinos de Melo Franco. - Globo/ Andrucha Waddington

por Caroline Ferreira
Publicado em 05/11/2021 às 10:50
Atualizado às 10:50

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Aos 92 anos, Fernanda Montenegro foi eleita à cadeira de número 17 da Academia Brasileira de Letras (ABL) na tarde desta quinta (4). A atriz recebeu 32 votos acadêmicos, sendo que 2 foram brancos. 

"É algo assim, é uma viagem no imaginário, uma viagem no sublime. A minha arte não é imortal. A arte do ator é enquanto ele está ali vivo, presente em carne e osso. Mas, de uma forma poética, vamos dizer que é imortal. Eu fico muito espantada que uma academia que tem como princípio ser imortal, acolher uma atriz que só existe quando está em cena carnificando o personagem", disse em entrevista ao Jornal O Globo.

A artista também fez questão de destacar a importância feminina na academia, uma vez que a participação é rara. "Já não teve nenhuma mulher. Isso não vai parar. Vai chegar uma hora que talvez tenha mais mulheres do que homens. Certamente, a chegada das mulher vai ter força e será aceito. É do tempo atual, da justiça em torno da existência humana", pontuou. 

Fernanda não deixou de criticar o atual governo. "...é uma forca, um vômito, é uma apunhalada no ventre. Mas vai acabar. Uma hora vai acabar. A grande tristeza é que ele entrou pelo voto. (...) As pessoas votaram no Bolsonaro. E por que votaram? Talvez porque os governos anteriores cumpriram só metade do prometido. Talvez tenha causado uma desilusão”.

Vale lembrar que ela só deve assumir o posto em março de 2022, quando órgão retorna após o recesso de fim de ano. 

Admiradíssima tanto no teatro como nas novelas, Fernanda foi a primeira atriz contratada pela TV Tupi, em 1951. Hoje, ela conta com dois livros publicados. "Prólogo, ato, epílogo", onde narra suas memórias e "Fernanda Montenegro: itinerário fotobiográfico", reunindo imagens sobre sua trajetória pessoal e profissional.

Só na Rede Globo atuou em mais de 30 novelas. Também foi vencedora do Emmy Internacional na categoria de Melhor Atriz pelo seriado "Doce de Mãe", em 2012. Além disso, é a única brasileira indicada a um Oscar de melhor atriz pelo papel de Dora em "Central do Brasil". 

Academia Brasileira de Letras (ABL)

Para ser nomeada, Fernanda precisava de 17 votos, ou seja, a metade. Em outubro, a atriz oficializou sua candidatura ao posto que antes era ocupado pelo diplomata Affonso Arinos de Mello Franco, que morreu em 15 de março de 2020.

Anteriormente, os ocupantes foram o escritor Sílvio Romero, o poeta Osório Duque-Estrada, o antropólogo Roquette-Pinto, o crítico literário Álvaro Lins e o filólogo Antonio Houaiss. Com 124 anos de história da academia, a atriz é a nona mulher eleita. 

"Fernanda Montenegro é um dos grandes ícones da cultura brasileira. Intelectual engajada e sensível leitora do real. Sua presença enriquece os laços profundos da Academia com as artes cênicas", disse o presidente da ABL, Marco Lucchesi.

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Gloria Maria, Vinícius de Oliveira e outros famosos celebraram a conquista. Crédito: Instagram/@fernandamontenegrooficial

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